O que é linfoma e quais são seus tipos?
O linfoma é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, responsável pela defesa do organismo contra infecções. Ele é classificado em dois tipos principais: linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não Hodgkin (LNH). Embora ambos afetem os linfonodos, possuem diferenças importantes na forma como se desenvolvem, nos sintomas e na resposta ao tratamento.
Principais diferenças entre linfoma de Hodgkin e não Hodgkin
A principal diferença entre esses dois tipos de linfoma está na presença da célula de Reed-Sternberg, que é característica do linfoma de Hodgkin e ausente no linfoma não Hodgkin. Essa distinção impacta diretamente a forma como a doença se desenvolve e responde ao tratamento.
O linfoma de Hodgkin costuma seguir um padrão mais previsível de disseminação, espalhando-se de um grupo de linfonodos para outro adjacente. Já o linfoma não Hodgkin pode surgir em diferentes partes do corpo desde o início e progredir de maneira menos ordenada. Além disso, enquanto o linfoma de Hodgkin afeta principalmente jovens adultos e idosos, o linfoma não Hodgkin é mais comum após os 60 anos.
Subtipos do Linfoma não Hodgkin
O linfoma não Hodgkin não é uma única doença, mas sim um grupo que engloba mais de 80 subtipos diferentes, cada um com características próprias. Esses subtipos variam principalmente em dois aspectos: agressividade e comportamento.
Agressividade
Os subtipos de agressividade podem ser classificados em dois grupos principais com base na velocidade de progressão da doença:
Indolentes (ou de baixo grau): Crescem lentamente e podem não causar sintomas por anos. Muitas vezes, os médicos adotam uma abordagem chamada “observação vigilante”, sem necessidade de tratamento imediato. Um exemplo comum é o linfoma folicular.
Agressivos (ou de alto grau): Crescem rapidamente e exigem tratamento imediato, pois podem se espalhar rapidamente para outros órgãos. O linfoma difuso de grandes células B, por exemplo, é um dos subtipos mais agressivos.
Comportamento
O comportamento da doença se refere à forma como o linfoma afeta o organismo. Alguns linfomas não Hodgkin permanecem restritos aos linfonodos por longos períodos, enquanto outros podem invadir rapidamente órgãos como o fígado, baço, medula óssea e até o sistema nervoso central.
Essa grande diversidade dentro do linfoma torna o diagnóstico e o tratamento mais complexos. Cada subtipo exige uma abordagem personalizada, levando em conta fatores como estágio da doença, idade do paciente e características moleculares do tumor.
Qual dos dois é mais grave?
A gravidade do linfoma depende do subtipo e do estágio em que é diagnosticado. O linfoma de Hodgkin tende a ter um prognóstico mais favorável. Em contrapartida, o linfoma não Hodgkin pode ser mais desafiador, pois alguns subtipos agressivos progridem rapidamente e exigem tratamentos intensivos.
Isso não significa que o linfoma não Hodgkin seja sempre mais grave. Alguns subtipos indolentes permitem que o paciente conviva com a doença por anos sem necessidade imediata de tratamento. Portanto, a severidade da doença varia de acordo com o comportamento do tumor e a resposta do organismo à terapia.
O que causa o linfoma?
As causas exatas dos linfomas ainda não são completamente conhecidas, mas fatores como infecções virais, predisposição genética e alterações no sistema imunológico podem estar envolvidos. O linfoma de Hodgkin, por exemplo, tem associação com o vírus Epstein-Barr (EBV), enquanto o linfoma não Hodgkin pode estar relacionado a infecções como HIV e H. pylori, além da exposição prolongada a produtos químicos.
Pacientes com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, também apresentam um risco aumentado para desenvolver linfomas. No entanto, em muitos casos, a doença surge sem uma causa aparente, o que torna seu diagnóstico precoce ainda mais importante.
Principais sintomas
Os sintomas dos linfomas podem ser semelhantes, independentemente do tipo. O mais comum é o aumento indolor dos linfonodos, principalmente no pescoço, axilas e virilha. Além disso, muitos pacientes apresentam febre persistente, suor noturno excessivo, fadiga intensa e perda de peso sem explicação aparente.
Em alguns casos, também pode haver coceira na pele e infecções frequentes devido ao comprometimento do sistema imunológico. Como esses sinais podem ser confundidos com outras doenças, é essencial procurar um médico ao notar qualquer alteração persistente no corpo.
O que são linfonodos
Os linfonodos são pequenas estruturas em forma de feijão que fazem parte do sistema linfático, responsável pela defesa do organismo. Eles funcionam como filtros, ajudando a combater infecções e eliminar células anormais. Estão distribuídos pelo corpo, especialmente no pescoço, axilas e virilha, e podem aumentar de tamanho quando há infecções ou doenças, como os linfomas.
Qual a chance de cura?
O linfoma de Hodgkin é considerado altamente curável, com taxas de sucesso entre 80% e 90%, especialmente quando detectado precocemente. O tratamento costuma envolver quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia, proporcionando boas chances de recuperação completa (alguns casos podem se beneficiar da imunoterapia e do transplante de medula óssea).
Já no linfoma não Hodgkin, o prognóstico varia conforme o subtipo. Os linfomas mais agressivos podem ter taxas de cura superiores a 60%, enquanto os mais indolentes podem não ter cura definitiva, mas permitem que o paciente leve uma vida normal por muitos anos com tratamento adequado.
Resumindo
O linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin são doenças do sistema linfático que, apesar de compartilharem alguns sintomas, apresentam diferenças importantes na progressão e no tratamento. Enquanto o linfoma de Hodgkin tem um comportamento mais previsível e altas taxas de cura, o linfoma não Hodgkin pode variar bastante em gravidade, dependendo do subtipo específico.
O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Por isso, ao notar sintomas como inchaço persistente dos linfonodos, febre sem causa aparente e perda de peso involuntária, é essencial buscar um médico. A detecção rápida aumenta significativamente as chances de cura e melhora a qualidade de vida do paciente.
Fontes:
INCA;
SBOC;
ACS;
NCI;
Mayo Clinic.