Dr. Lísias Nogueira Castilho - Urologista | Fone: (19)32540225 / 3112-4600

Dra. Silvia Diez Castilho - Pediatra | Fone: (19)25136091

Artigos

É bom que o médico peça muitos exames de imagem?

tomografiaA Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou neste mês de junho de 2017 alguns dados referentes aos números de pedidos de exames de ressonância magnética e tomografia computadorizada realizados entre 2014 e 2016 por médicos que atendem planos de saúde no Brasil, os chamados “convênios”. Esses dados mostram com clareza que os números desses exames de imagem ultrapassam os números de muitos países desenvolvidos, como Alemanha, França e Estados Unidos. A ANS também demonstrou que houve um crescimento significativo de 18% de pedidos de tomografias entre 2014 e 2016, absolutamente injustificável tecnicamente, e de 22% de pedidos de ressonância magnética. 

As explicações para esses números exagerados na população dos “convênios”, cerca de 50 milhões de pessoas, são diversas – despreparo técnico dos médicos, substituição apressada de história e exame físico por exames de imagem, propinas dos radiologistas aos médicos solicitantes, pressão dos pacientes sobre os médicos para a realização de exames de imagem, baixa remuneração dos planos de saúde aos médicos e outras causas.

Já está mais do que provado que os médicos que pedem exames em excesso têm uma formação ruim. Os que não pedem nada nunca, por outro lado, são negligentes. Há um meio termo, nem sempre fácil de achar, em que os exames necessários devem ser solicitados, depois de uma anamnese cuidadosa e de um exame físico completo.

O excesso de tomografias computadorizadas, que têm radiação ionizante, pode levar a algumas formas de câncer, uma vez que o efeito da radiação é cumulativo ao longo da vida. Isso já foi demonstrado nos Estados Unidos, onde havia, até um passado recente, um número abusivo de pedidos de tomografias.

A melhor formação de nossos médicos, tanto ética como técnica, e a educação médica da população, certamente reduzirão os pedidos de exames desnecessários a longo prazo. Por ora, a contenção dos excessos deve ser coibida por meio de auditorias médicas e melhor remuneração dos médicos pelas operadoras de saúde que atuam no Brasil.

Imprimir Email

0
0
0
s2sdefault